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25/12/2014

20 confissões proustianas de Raquel Serejo Martins


Foto: Ricardo Figueiredo de Carvalho

A minha ideia de perfeita felicidade:
Prefiro a felicidade imperfeita, defeituosa, quotidiana, que ao fim de cada dia, sem más notícias, não me falte uma chávena de chá e a companhia dos meus gatos no sofá.

O meu maior medo:
A dor física, a certeza da morte, dos outros e da minha (pronome possessivo) morte.
Um medo concreto, ao ponto de… ridícula, pensar… por vezes pensar que vou morrer de medo de morrer.
- Morreu de quê?
- De medo de morrer.
Parece Beckett, não é.

A característica que mais me desagrada em mim:
Tem dias em que parece que gosto de não gostar de mim. Sou, em regra, demasiado exigente tanto comigo como com os outros e, em relação aos outros, não sei se tenho esse direito.

A característica que mais me desagrada nos outros:
A hipocrisia… isto em pequena escala quotidiana e comezinha, perceptível, risível, enfim…
E a sério, a maldade humana, em regra gratuita, não legítima, não defesa. Tantos os acontecimentos que não consigo compreender. Que me deixam sem respirar. Que me afogam sem lágrimas.
Por exemplo, a violência de género.
Por exemplo, o que se passou dia 16 deste Dezembro, em Peshawar, no Paquistão, um grupo de talibãs [o ataque foi reivindicado pelo Movimento dos Talibãs do Paquistão (TTP)], invadiu uma Escola Pública do Exército, 1.100 alunos nas salas de aula, primeiro a explosão, homens-bomba, depois as balas, homens armados, massacrando 141 pessoas, a maioria crianças e adolescentes. Um alvo cirúrgico e simbólico, porque uma escola.
Por exemplo, o Festival Gadhimai, em agradecimento à deusa Hindu que lhe dá o nome, celebrado a cada cinco anos, é o maior sacrifício religioso de animais no mundo. Aconteceu a 28 e 29 de Novembro, em Bariyarpur, no sul do Nepal, fronteira com a Índia, e foram sacrificados milhares de animais. Um artigo do El Mundo chamou-lhe matança brutal. Em 2009, segundo o The Guardian, o festival concentrou mais de um milhão de fiéis e foram mortos 250 mil animais, búfalos, cabras, cordeiros, bezerros, porcos, pombas, animais chacinados com uma violência inenarrável.
Por exemplo, fogo posto, fogo de incêndio.
Por exemplo… não vou dar mais exemplos.

A virtude que me parece mais sobrevalorizada:
A sinceridade.

As ocasiões em que minto:
Quando me remeto ao silêncio. Quando não digo o que penso. Quando não sou sincera.

A minha qualidade preferida num homem:
Sentido de humor. Cada vez mais me parece que esta é a qualidade consequência ou corolário de outras que gosto. Não conheço ninguém com a nobre qualidade de me fazer rir que não seja inteligente, curioso, generoso, bonito. Sendo, de forma homóloga, a qualidade que mais me agrada numa mulher. Porque tudo pode ser feito sobre o barulho do riso.

Quando e onde fui mais feliz:
Eu tinha dezasseis anos e era feliz. Às vezes parece-me que sempre que sou feliz, voo, plano, volto, tenho dezasseis anos e o mesmo grau de espanto e pureza no olhar.

O talento que mais gostaria de ter:
Invejo tantos talentos, mas provavelmente, de certeza, pintar.
Pintar parece-me ter tudo em si, palavras, notas, edifícios, céus, saltos, ventos, barcos.
Também gostava de conseguir musicar alguns poemas, porém tenho ouvidos inúteis para fins melódicos, perfeitos para portas!

Quem ou o quê é o grande amor da minha vida:
Apaixono-me com razoável frequência. Faço um esforço. Como um gato vou à caça. E tem dias que o dia é do caçador e fico, barriga cheia de borboletas e pezinhos com vontade de dançar.

Onde gostaria mais de viver:
Na infância, esse lugar sem chão, na Lisboa de Pessoa, são tantas as vezes em que me parece que não sou deste tempo, excessivamente tecnológico, porém como tal não é possível, qualsiasi piccolo paese nel sud d'Italia sarebbe perfetto, eu um Tabucchi ao contrário.
E se mesmo assim tal não for possível, talvez uma aldeia algarvia ou andaluza.
Enfim, planos futuros de formiga, porque neste momento, não me apetece trocar Lisboa por nada.

O meu bem mais precioso:
Os meus amigos, tenho muitos e bons, uma gaveta cheia. Costumo dizer “deus me conserve o faro para as pessoas”. E como tenho uma família mínima são a minha “famiglia”.

A minha ocupação preferida:
Ponho-me a pensar numa tarde bem passada e o que vem é uma praia, um livro na mão, caminhada e mergulho com amigos, uma sesta numa almofadinha de areia.

A minha característica mais vincada:
Sou difusa, assim que uma troika de características, frontalidade, persistência e preguiça.
Frontalidade, sendo que já fui mais... é uma característica muito apreciada em abstracto, porém, no concreto, faz mazelas.
Quanto à persistência e à preguiça, apesar de contraditórias, parece-me que se compensam sem se anularem, como se a preguiça servisse de balão de oxigénio para renovar a vontade e no entretanto saborear a vida.

O que mais valorizo nos meus amigos:
Exactamente isso, o serem meus amigos, terem a inexplicável qualidade de gostarem de mim, de resto a amizade é um mistério.

Os meus escritores preferidos:
Nas minhas leituras concluo inevitavelmente que há uma óbvia geografia mediterrânica e sul-americana.
Quanto a escritores preferidos, vou destacar apenas as últimas descobertas sem “meter” estrangeiros, o meu trabalho de garimpo à descoberta do ouro, assim, escritores que li no último ano, e que me encantaram Ana Margarida de Carvalho, Alexandra Lucas Coelho, Valério Romão.

O meu herói na ficção:
D. Quixote, talvez porque no fim, quando regressa a casa, percebe que não é um herói, por perceber de forma mais ampla, que não há heróis.

Rob Davis (BD)

Os meus heróis na vida real:
Sou das que acredita que uma só pessoa pode fazer um mundo de diferença.
Pessoas como Chico Mendes. Quem se lembra de Chico Mendes?

A minha maior pena:
Sofro de uns quantos arrependimentos. Não quanto a coisas que fiz, mesmo quando saiu asneira, mas relativamente a coisas que não fiz, e que assim ficaram fora de tempo, ou perdi a vontade, envelhecer deve ser isto.

O meu lema:
Sobretudo, as pessoas.

18/11/2014

20 confissões proustianas de Carla M. Soares

A minha ideia de perfeita felicidade
Ter tempo para mim e nenhuma preocupação, que inclui dinheiro para viver regalada e a felicidade absoluta dos meus filhos.

A minha qualidade preferida num homem: 
Qualidades, no plural: Inteligência, sentido de humor, amabilidade, partilha. Hum. Parece-me que estou muito exigente.

A minha característica mais vincada: 
A tranquilidade (infelizmente é só aparente).

A característica que mais me desagrada em mim:
Detesto achar sempre que o que faço não chega, nunca chega nem há-de chegar, embora isso também me empurre e me obrigue a fazer mais.

A figura histórica com que me identifico mais: 
São figuras, quantas delas anónimas… Identifico-me sobretudo com as mulheres que, ao longo do tempo, têm lutado pela equidade de géneros.


Como gostaria de morrer: 
De repente ou a dormir. Não gostaria de ver a morte a chegar.

O meu maior medo:
O sofrimentos dos meus filhos. A dor física ou a doença grave.

A pessoa viva que mais admiro:
A Malala Yousefsay, pelo exemplo que estabelece para todas as meninas e mulheres deste mundo. E por arrasto o seu pai, cuja atitude perante as desigualdades e injustiças fez dela quem é.

A minha maior extravagância:
O tempo que roubo para mim e para a escrita. Tomar o pequeno almoço fora sempre que tenho tempo para isso.

Quando e onde fui mais feliz:
Raramente olho para trás, para reflectir sobre essas coisas. Seja como for, tenho sido bastante feliz nos últimos anos, aqui mesmo onde estou.

O talento que mais gostaria de ter:
Cantar, acho. O meu actual talento é saber o mal que canto e calar-me.

O meu bem mais precioso:
Dois filhos. Sem comparação. O meu bem material mais importante é o meu computador, onde guardo zelosamente os meus outros filhos, feitos de letras.

O que mais me desagrada nos outros:
No mundo? Que tantos sejam incapazes de entender que neste mundo há outras perspectivas que não a sua. As desigualdades. A opressão, seja em nome de ideais ou religiões. De forma mais directa, a arrogância e a presunção.

Um arrependimento:
Não sou de grandes arrependimentos, mas tenho pena de não ter reconhecido e agarrado algumas oportunidades quando me surgiram, no princípio da minha vida, não sei se por medo, preguiça ou ingenuidade.

As palavras ou frases que uso em demasia:
Vamos ver.

Se morresse e voltasse como pessoa ou objecto, seria:
Não quero voltar como coisa nenhuma, quero ficar como uma energia em todas as coisas… A não ser que me façam alguma mesmo má, nesse caso quero voltar mesmo como fantasma e ir, no escuro da noite, puxar os pés à pessoa.
Onde gostaria mais de viver:
Sou muito citadina.

A minha ocupação preferida:
Escrever, claro. É pena o pouco tempo que tenho para ela.

Os meus heróis na vida real:
Os que persistem nas condições mais adversas – os que lutam pela saúde, liberdade, justiça e educação em países onde são raras e é perigoso defendê-las.

O meu lema:
Há sempre amanhã.


21/10/2014

20 confissões proustianas do timoneiro de Outubro, Pedro Almeida Maia

A minha ideia de perfeita felicidade:
Ler um bom livro à sombra de uma palmeira, rodeado das pessoas que mais amo, e parar a cada dez minutos para um brinde.

A pessoa viva que mais admiro:
O meu pai. Com ele aprendi que nunca se desiste.

fonte: Wikimedia Commons
A minha maior extravagância:
Ter abdicado do vinil e agora andar a sonhar com um gira-discos.

As ocasiões em que minto:
Aprendi a mentir cada vez menos a mim mesmo.

A minha qualidade preferida numa mulher:
A qualidade que a minha tem.

As palavras ou frases que uso em demasia:
Tenho que arranjar tempo para ver isso.

Quem ou o quê é o grande amor da minha vida:
A minha filha. Sabia que ser pai me mudaria. Não fazia ideia quanto.

Quando e onde fui mais feliz:
Atrevo-me mesmo a dizer que sou feliz aqui e agora.

O talento que mais gostaria de ter:
Adoraria ser um craque em artes marciais.

O que considero o meu maior feito:
Ter tido a coragem de virar a vida ao contrário, quando ela queria virar-se a mim.

Se morresse e voltasse como pessoa ou objecto, seria:
Tinha de voltar como eu próprio, para dar tempo de atingir todos os objectivos a que me propus. Não sei se uma vida chega.

Londres / Fonte: Wikimedia Commons
Onde gostaria mais de viver:
Tenho uma paixão por Londres. Não sei explicar.

O meu bem mais precioso:
A família. E não só os laços de sangue.

O que é para mim atingir o fundo:
Já estive lá. É não saber que se atingiu o fundo.

A minha ocupação preferida:
Escrever. E tem ocupado cada vez mais do meu tempo, tal como ambicionei.

A minha característica mais vincada:
Diria que é a minha persistência.

O que valorizo mais nos meus amigos:
O tempo que ainda conseguimos passar juntos.

Os meus heróis na vida real:
Os professores. Como é que se constrói uma nação?

Como gostaria de morrer:
Durante o sono, mas que me congelassem depois. Gostava de ver o futuro.

O meu lema:
A minha musa é o trabalho.

25/09/2014

20 confissões proustianas de Paulo M. Morais

O meu maior medo:
Não ter medo da morte.

A característica que mais me desagrada em mim:
Ser demasiado transparente no que penso e no que sinto.

A característica que mais me desagrada nos outros:
Falta de carácter e segregação com base na cor da pele, orientação sexual ou estatuto social.

A pessoa viva que mais admiro:
A minha avó materna: 99 anos de uma vida marcada por infindáveis desgostos. E, no meio da amargura, ainda sabe rir.

A minha maior extravagância:
Gostos simples dão muito jeito em tempos de crise económica.

As ocasiões em que minto:
Guardo da minha mãe o conceito de “mentira branca” (uma mentira inocente, para evitar males maiores); mas não sei aplicá-lo.

O que mais me desagrada no meu aspecto:
Ainda estou para perceber como é que me habituei a gostar de não ter cabelo.

As palavras ou frases que uso em demasia:
Pois...

Quem ou o quê é o grande amor da minha vida:
Há vários tipos de amor. O amor por uma mãe (ou avó) é insubstituível. O amor por uma filha é incomparável. O amor por um amigo é inquebrantável. O amor por uma mulher é insuperável (...enquanto dura). O amor por uma utopia é interminável.

Quando e onde fui mais feliz:
Apesar de alguns “contratempos”, estou satisfeito com a última década. Espero que a seguinte seja, pelo menos, semelhante. Mas há espaço para melhorias em certas áreas...
O pôr de sol da Costa da Caparica

O talento que mais gostaria de ter:
Tocar um instrumento musical; acho sempre que já não vou a tempo e, por isso, nunca começo a aprender.

O que considero o meu maior feito:
Superar traumas e bloqueios para aceitar o desafio de ter um filho (e felizmente saiu-me uma filha...), e tentar diariamente ser um pai de passado, presente e futuro.

Onde gostaria mais de viver:
Passei muitas férias e fins de semana num apartamento dos meus avós paternos, na Costa da Caparica, de onde se via o areal, o mar, o farol do Bugio e os barcos no horizonte. A casa vendeu-se. Ficaram as saudades daquele pôr-do-sol e o sonho de um dia escrever frente a uma janela com vista para o mar.

O meu bem mais precioso:
A memória. Para relembrar os que já morreram e para criar e sustentar as personagens que ainda hão de nascer.

O que é para mim atingir o fundo:
Depende da geografia. Em Portugal pode ser uma pessoa ser considerada supérflua ou excedentária, ficar sem trabalho e, de repente, à falta de apoio, tornar-se num sem-abrigo. Mas se pensarmos na Índia, milhões de seres humanos lutam diariamente pela sobrevivência, numa miséria absoluta. Tirarem-nos a dignidade, seja onde for, é lançarem-nos para o fundo do poço.

A minha ocupação preferida:
Literatura e cinema. O futebol voltou a ter importância, ao recuperar o velho hábito de ir assistir aos jogos dos miúdos do clube local.

Os meus nomes preferidos:
Maria. Parece banal, muito por culpa dos ditos populares ou dos nomes apensos. Porém, isolado, tem uma força que talvez nenhum outro tenha.

O que mais me desagrada:
A incapacidade crónica do ser humano em alcançar consensos alargados que evitassem um mundo tão desnivelado em tantas matérias. Desagrada-me, por exemplo, que uns falem de milhões enquanto outros esgravatam tostões.

Um arrependimento:
Não ter tido coragens e confianças mais cedo na vida. Mas tudo faz parte de um percurso.

O meu lema:
Acredita no sonho. Depois trabalha, com afinco e humildade, para o concretizar. [Para ser transparente: este não é um lema pré-estabelecido. Contudo, isso não o torna falso. Saiu-me assim, agora, a expressar a vontade que me acompanha há vários anos]

20/07/2014

20 confissões proustianas de Ana Saragoça

Desafiei os meus leitores e amigos no Facebook a escolherem 20 perguntas de entre a lista imensa que é o questionário. Agradeço a todos a boa vontade e o facto de terem escolhido algumas de que eu queria fugir a sete pés…

A minha ideia de perfeita felicidade (sugerida por Linda David)
Amar e ser amada, escrever, ver os meus filhos felizes.

O meu maior medo (sugerida por Rogério Vieira):
A morte dos que mais amo.

A característica que mais me desagrada nos outros (sugerida por Olívia Azevedo-Duncan): 
A desonestidade.

Aung Sang Suu Kyi
A pessoa viva que mais admiro (sugerida por Carlos Pisco, Eugénia Vasques, Cristina Benedita e Gabriela Bruno): 
Aung San Suu Kyi, Malala Yousafzai; e todos os milhões de anónimos que por esse mundo fora arriscam a vida pelos seus direitos e pelos dos outros.

A minha maior extravagância (sugerida por Andreia Macedo e Teresa Sobral):
Ai, já não tenho! Mas, quando ainda tinha, era um bom perfume. Um dia…

A virtude que me parece mais sobrevalorizada (sugerida por Miguel Côrte-Real Matias, Ana Pedrosa, Pedro Mamede e Cristina Benedita): 
A humildade.

As ocasiões em que minto (sugerida por Virgínia Garcia, Pedro Sande, Pedro Mamede): 
Só quando é estritamente necessário, e, francamente, quase nunca é. De resto, se dantes a mentira tinha pernas curtas, agora, com toda a gente em rede, é completamente perneta…

A minha qualidade preferida num homem (sugerida por Rita Lello): 
Inteligência. E sentido de humor!

Quando e onde fui mais feliz (sugerida por Nuno Cardoso Dias): 
Já tive tantas épocas felizes… A mais recente, especialíssima, foi nos Açores, em 2012. Nunca vi tanta beleza junta nem os meus filhos tão felizes.

O talento que mais gostaria de ter (sugerida por Catarina Gonçalves e Rosana Cordovani): 
Peço emprestadas as palavras de Almada Negreiros: ‘Eu admiro toda a gente que saiba fazer qualquer coisa de que eu não seja capaz - toda a gente faz qualquer coisa que eu não sei.’

O que considero o meu maior feito (sugerida por Maria Joana Andrade):
Ter produzido o filho e a filha mais fantásticos e extraordinários e tudo e tudo e tudo do mundo e do estrangeiro.

O meu bem mais precioso (sugerida por Cristina Benedita):
O conteúdo dos livros que li.

O é para mim atingir o fundo (sugerida por Fernanda Neves):
Não sei. Quando penso que bati lá, há sempre um pouco mais de fundo.

A minha característica mais vincada (sugerida por Teresa Pais): 
A sede de saber.

O que valorizo mais nos meus amigos (sugerida por Eugénia Bettencourt): 
Gostarem de mim é muito simpático. Para além disso, lealdade, sentido de humor e todas as pequenas coisas que os tornam únicos.

O meu herói na ficção (sugerida por Maria Emília Macedo):
João sem Medo, Jean Valjean, Jo March.

A figura histórica com que me identifico mais (sugerida por Milay Teles): 
As sufragistas de todo o mundo e principalmente as portuguesas, que foram instrumentais na implantação da República e de imediato descartadas.

Um arrependimento (sugerida por Rui Geada e Luís Latas) : 
Ter deixado que a vida me afastasse da minha melhor amiga de juventude.

Como gostaria de morrer (sugerida por Cristina Benedita e Olívia Azevedo-Duncan): 
Depressa e sem sujar muito.

O meu lema (sugerida por Maria Dulce Martins):
‘O carácter é o destino’, Heraclito de Éfeso

30/06/2014

a viagem do timoneiro João Rebocho Pais

Houve de tudo nas leituras dos marujos do Colectivo Nau do livro do mês, «O Intrínseco de Manolo». A Raquel Serejo Martins pediu à Consuelo que a consolasse, a Cristina Drios confessou que gostaria muito de ser uma lágrima Marília, a Ana Saragoça encontrou o "alentejanismo mágico" do livro, a Carla M. Soares andou à volta do que podia Manolo (e podia muito...), o Paulo M. Morais perdeu as estribeiras e mandou o João fornicar-se...

E lá foi o João Rebocho Pais submeter-se a 20 confissões proustianas, escutar o poema da Raquel Serejo Martins intitulado Intrínseco João, e sujeitar-se a que a Sónia Alcaso lhe traçasse o perfil de "homem inteiro, cheio de jogos (e) de palavras".

Um mês cheio, em volta de um só livro. Um não, que enquanto falávamos do primeiro filho literário do João, ele estava a lançar o seu segundo, «Dizem que Sebastião». É de ir lá ver o que nos dizem, então, enquanto agradecemos ao nosso timoneiro a viagem intrínseca por Manolo e companhia.

15/06/2014

20 confissões proustianas de João Rebocho Pais

A minha ideia de perfeita felicidade:
Ver os meus Filhos felizes e o Benfica campeão.

A característica que mais me desagrada nos outros:
Demagogia

A pessoa viva que mais admiro:
Elvira

A minha qualidade preferida num homem:
A capacidade de viver uma Amizade

A minha qualidade preferida numa mulher:
A capacidade de entender o Homem

As palavras ou frases que uso em demasia:
' A verdade é que ... '
' Foda-se '...

Quem ou o quê é o grande amor da minha vida:
Miguel e Francisco

a Lisboa do Benfica
imagem: Paulo M. Morais
Quando e onde fui mais feliz:
16 de Novembro de 1994 e 9 de Junho de 2003... em Lisboa

O talento que mais gostaria de ter:
Saber tocar música

O que considero o meu maior feito:
Ter sabido rodear-me de poucos mas Bons Amigos

Onde gostaria mais de viver:
Em Estocolmo, se houvesse por lá Benfica

O meu bem mais precioso:
Os meus Filhos

O que é para mim atingir o fundo:
Necessitar de pisar os outros para saber viver

A minha ocupação preferida:
Ler

A minha característica mais vincada:
Teimoso

O que valorizo mais nos meus amigos:
A disponibilidade nos dias em que ' é preciso estar lá '

Os meus escritores preferidos:
José Saramago, Sandor Marai.

Os meus nomes preferidos:
Miguel; Francisco; Inês

O que mais me desagrada:
Gente mentirosa

O meu lema:
Nunca desistas.

Grafitti sobre José Saramago
imagem: Wikimedia Commons /r2hox

03/06/2014

a viagem da timoneira Cristina Drios

Na passagem de testemunho, relembramos a viagem da timoneira Cristina Drios.

Festival du Premier Roman de Chambéry
imagem: Arlette Darbord
Tudo começou, literalmente, com a crónica sobre o primeiro jantar NAU. Depois houve um perfil traçado pela Raquel Serejo Martins, citações e comentários feitos pelas marujas Carla M. Soares (um rapaz com gosto por coelhos no chapéu), Sónia Alcaso (o medo e a solidão da guerra), Ana Saragoça (o espaço físico da tradutora), uma evocação do Paulo M. Morais (uma coisa sem importância aparente), um poema da Raquel Serejo Martins inspirado em «Os Olhos de Tirésias», e as respostas da timoneira ao questionário de Proust. Pelo meio, a Cristina ainda teve tempo de ir a França participar no Festival do Primeiro Romance de Chambéry, o que nos encheu de orgulho.

Resta-nos agradecer ao Mateus Mateus e restantes personagens criados pela Cristina Drios, por nos terem proporcionado uma belíssima primeira viagem do Colectivo NAU.

27/05/2014

20 confissões proustianas de Cristina Drios

A minha ideia de perfeita felicidade: 
Uma tarde de verão, numa rede, a ler um grande romance.

O meu maior medo: 
A dor física.

A característica que mais me desagrada em mim: 
Ter várias características que me desagradam.

A característica que mais me desagrada nos outros: 
A arrogância.   

As ocasiões em que minto: 
Quando escrevo...

A minha qualidade preferida num homem: 
A generosidade. Também é a minha qualidade preferida numa mulher.

O talento que mais gostaria de ter: 
Saber tocar um instrumento qualquer de ouvido.

O que considero o meu maior feito: 
Ter subido e descido 22km de montanha em plena floresta tropical sem qualquer preparação física e psicológica e ter escrito um romance, também sem qualquer preparação, física e psicológica. 

"uma" aldeia na serra da Lousã
imagem: ADXTUR / Foge Comigo
Se morresse e voltasse como pessoa ou objecto, seria: 
Alfarrabista! Um livro! 

Onde gostaria mais de viver: 
Entre Lisboa, Roma e Istambul, uma ilha grega e uma aldeia de xisto na serra da Lousã. Considerando que vivo entre a primeira e a última, já me considero afortunada.

O meu bem mais precioso: 
Livro(s)!

A minha ocupação preferida: 
Ler. Ler. Ler.

A minha característica mais vincada: 
A persistência.

O que valorizo mais nos meus amigos: 
A lealdade. 
Os meus escritores preferidos: 
Tenho livros preferidos mais do que escritores preferidos: “O Estrangeiro”, “Crime e Castigo”, “O Tambor de Lata”, “O Vermelho e o Negro”,  “As Flores do Mal”, entre outros, estão nessa lista.

O meu herói na ficção: 
Por acaso, é um anti-herói. Meursault. 

Os meus heróis na vida real: 
As pessoas que vivem, neste país, com o ordenado mínimo.

Os meus nomes preferidos: 
Francisco – João – Isabel – Teresa. 

Como gostaria de morrer: 
Muito depressa!

O meu lema: 
Colherás o que semeaste.